terça-feira, 20 de agosto de 2013

19/08/13 18:33 - Notícias
19 de agosto de 2013

Experiência italiana com Educação Infantil é tema de Conferência na UNEB












“A ação do adulto é complexa e refinada. Requer descentramento e escuta para que as crianças tenham o tempo necessário para se expressar. O tempo delas é diferente do nosso. É preciso focar menos em – o quê? e mais – no como as crianças fazem”. Esta foi uma das falas proferias pelo professor Aldo Fortunati, presidente do Centro de Pesquisa e Documentação sobre a Infância – La Bottega di Geppetto, da Prefeitura de San Minato/Itália, e Vice -Presidente do Gruppo Nazionalle Nidi Infanzia.
O evento: durante a Conferência: Diálogos Internacionais sobre a Experiência com as Crianças em San Miniato/Itália, promovido pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), em parceria com a Avante – Educação e Mobilização Social e a Faculdade de Educação da UFBA, no último dia 15 (agosto), no Campus I da UNEB, trouxe Aldo Fortunati para falar sobre a experiência em educação infantil de San Miniato – cidade italiana localizada na Toscana que sofreu as mesmas influencias de Reggio Emília, outra cidade italiana considerada referência mundial no assunto. Ambas tiveram influência da obra do pedagogo /educador Loris Malaguzzi.
“Para quem teve a oportunidade de visitar Reggio Emilia, esta palestra foi uma confirmação que temos muito a aprender com a experiência italiana. Precisamos falar mais sobre o que ela nos traz como contraponto ao que hoje se considera fundamental na educação infantil e que vem impondo uma pressão no sentido de aferição de resultados”, diz Maria Thereza Marcilio, gestora institucional da Avante, que esteve no evento representando a instituição.
“Durante o evento, lembrei-me de todas as pessoas envolvidas na construção de uma educação infantil que seja um projeto da sociedade e que veja a criança como um sujeito pleno de direitos, forte, competente, rico, sociável, ativo e curioso”, disse Thereza ao descrever seu encantamento diante das falas de Fortunati.
O professor Aldo Fortunati abordou a educação como um direito da criança, como apoio ao seu desenvolvimento e crescimento plenos. “Ela não é feita para atender a demanda de pais que trabalham. Nem é um substituto de famílias ‘incompetentes’”, dispara. Para ele, educação é um projeto social, de toda comunidade. E o professor é uma profissão de interesse social. E a família é o primeiro lugar de convivência, cuidado e educação.
Sobre currículo da Educação Infantil, Fortunati ressaltou que este instrumento é tradicionalmente pensado como: resultados a serem alcançados e estímulos para se chegar aos resultados. E avaliar se os resultados foram alcançados. “Ele foi muito claro ao dizer que esta é a concepção tradicional e ela é ‘falha e burra’, pois despreza a potencialidade das crianças e transforma o professor em um técnico  aplicador”, pontua Thereza.
Para o professor a construção de um currículo para Educação Infantil deve ir na direção contrária. “Deve construir oportunidades, acompanhar processos e percursos, e narrar experiências, ao invés de avaliar resultados. Avaliar não é medir um comportamento em relação a uma norma, mas documentar e recontar as qualidades individuais das estratégias da cada criança”, disparou.
Para sintetizar o seu pensamento sobre a Educação Infantil o palestrante trouxe cinco pontos fundamentais para a educação infantil:
1 – Organização do espaço: arquitetura, equipamentos e materiais.
2- Currículo: na perspectiva sintetizada acima
3- Prática docente como processo de construção coletiva, envolvendo todos os profissionais que atuam no espaço de Educação Infantil. Centralidade do papel do coordenador pedagógico.
4- Historicidade do processo educativo que compreende memória, história e futuro.
5 – Centralidade da família como co-protagonistas do processo educativo. Não são destinatários de políticas, usuários de serviços e menos ainda clientes. Tem que participar da elaboração, reflexão e avaliação.
Fortunati finalizou sua fala diante de uma plateia atenta com um alerta: “A natureza nos presenteia com possibilidades de imensa abertura nos nossos primeiros anos e, com certeza, não o fez para que a escola homogeneizasse e podasse esse imenso potencial. Tem que haver currículo e intenção pedagógica, mas submetidas ao desenvolvimento e potencial das crianças, uma abertura para o inesperado”.
Thereza aproveitou a ocasião para apresentar a Rede Nacional Primeira infância (RNPI) por meio do vídeo/animação: Um plano nacional pela primeira infância. Este vídeo foi promovido pela Avante quando na gestão da Secretaria Executiva da Rede (2011/12), com o apoio do Instituto C&A. A gestora da Avante convidou as instituições representadas na plateia para integrar a Rede Estadual Primeira Infância (REPI – BA) e obteve muitos retornos de desejo de adesão.

terça-feira, 25 de junho de 2013

DA SÉRIE: MEUS ALUNOS PRODUZEM TEXTOS

UNEB:     Universidade do Estado da Bahia.  Campus II .
Prolinc - Programa de formação de professores do Município de Pojuca – Bahia.  Licenciatura em Letras com Inglês.
Discente:  Élida Rose e Jaqueline Oliveira
 Docente: Rosemary

TRANSMUTAÇÃO
VERSÃO TRANSMUTADA
ANÚNCIO
MOÇA SOLTEIRA PROCURA NAMORADO. QUE NÃO SEJA TÃO GRANDE QUANTO UM BOI, NEM TÃO FORTE QUANTO UM JUMENTO E QUE NÃO BERRE TÃO ALTO QUANTO O BODE.
DE PREFERÊNCIA QUE SEU SUSSURRO SEJA MINUCIOSO COMO O GRANIR DE UM RATO. QUE USE CARTOLA E SE VISTA BEM. AH!!! QUE NÃO SEJA GULOSO E QUE NÃO GOSTE DE FEIJOADA.
A MOÇA É PRENDADA, AFORTUNADA E BEM ARRUMADA.

OS INTERESSADOS, FAVOR PROCURÁ-LA NA JANELA DE SUA CASA, QUE FICA NA AVENIDA FITA NO CABELO, RUA DINHEIRO NA CAIXINHA.

BASEADA NA HISTÓRIA ORIGINAL
DONA BARATINHA

Era uma vez uma linda Baratinha. 
Gostava de tudo muito limpo e arrumado.
Um belo dia, Dona Baratinha varria o jardim de sua casa quando encontrou uma moedinha. Ficou muito feliz!
Rapidamente, tomou um banho, colocou um vestidinho bem bonito, uma fita no cabelo e ficou na janela da sala de sua casa cantando assim:
     "Quem quer casar com a Dona Baratinha,
      que tem fita no cabelo e 
dinheiro na caixinha?"
      logo, logo começaram a chegar os pretendentes.
O primeiro que passou foi o Senhor Boi, muito bem vestido.
Dona Baratinha perguntou então para ele:
      - Que barulho o senhor faz quando dorme? E ele respondeu:
- Quando eu durmo, o meu ronco é assim - MUUUUU..........
- Saia já daqui! O Senhor me assusta com todo esse barulho!
      Dona Baratinha voltou para sua janela, cantando a mesma canção:
"Quem quer casar com a Dona Baratinha que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha?"
      
Um tempo depois passou um jumento todo arrumadinho e falante,  dizendo:
- Eu serei o marido ideal para a Senhora.
          quando o senhor dorme, como é o barulho que o senhor faz?
       - Eu faço assim - Ióh..Ioh...Ióh...Ióhooooooo.........
        Assustada Dona Baratinha mandou que ele saísse e nunca mais passasse por lá para assustá-la novamente.
       Depois de algum tempo,já desanimada, Dona Baratinha recebeu uma visita inesperada. Era o Senhor Ratão, muito falante e animado:
       - Senhora Baratinha, estou muito apaixonado pela senhora e pretendo me casar logo, logo.
A senhora aceita?
       Mais uma vez,Dona Baratinha perguntou:
      - "Como o senhor faz para dormir?"
       Senhor Ratão disse:
       
- Eu sou muito discreto em tudo que faço.
Até para dormir, meu ronquinho é muito baixinho e dificilmente eu ronco!
É assim:
- iiiihhhhiiiiihhhhhh.......      
- Que maravilha! disse Dona Baratinha! Esse barulho não me assusta, até parece uma suave melodia. Com você eu quero me casar e tenho certeza que seremos felizes para sempre!!!!   
Logo foram marcando a data do casamento e preparando a festa.
Dona Baratinha pediu para suas amigas Abelhas, Formigas e Borboletas prepararem uma gostosa feijoada, sucos de diferentes frutas e muitos doces! No dia marcado, a noiva já estava esperando na igreja toda preocupada, porque todos os convidados estavam lá também, só faltava o querido noivo.      
Corre daqui, pergunta dali e nada! Ninguém sabia do paradeiro do distinto cavalheiro.O que será que tinha acontecido com ele? Todos se perguntavam....
Acontece que Senhor Ratão era muito guloso.Não resistiu esperar pela surpresa da festa que a noiva havia lhe preparado. Então, aproveitando que todos já estavam na igreja ele foi até a casa das amigas de sua noiva onde tudo estava prontinho e arrumadinho e foi investigar os comes e bebes.     
Quando sentiu o cheirinho apetitoso da feijoada, resolveu subir na panela e experimentar um pouquinho....
      Acontece que Senhor Ratão perdeu o equilíbrio e caiu na panela do feijão! Como não tinha ninguém em casa ele não se salvou, morreu afogado dentro da gostosa feijoada!!!
       uando soube do acontecido, Dona Baratinha triste ficou.
Voltou para sua casa e continuou a vidinha de sempre.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

DA SÉRIE: MEUS ALUNOS PRODUZEM TEXTOS


RECEITA DA INDIGNAÇÃO

Ingredientes:
·        1 povo esperançoso;
·        1 período de eleição;
·        1 partido dito dos trabalhadores;
·        1 governador fascista;
·        Uma classe de profissionais.

Modo de preparo
Pegue a população de um estado insatisfeita com uma forma coronelista de  governo coloque num recipiente chamado eleição e reserve. Após alguns minutos bata com um discurso de um carioca abaianado e veja a massa se mover. Leve ao forno da administração. Depois de esperar alguns meses peça que atendam seus direitos e veja como nunca lhe ouvirão. Para melhorar o sabor abra uma lata chamada greve e veja professores desmoralizados por 2 meses. Para encerrar espere mais 3 anos exija novamente seu direitos, não lhe ouvirão, então abra a lata GREVE e veja um governador fascista cortar salários, proibir empréstimos bancários, cancelar vale cesta entre outros, jogando assim uma vez, não duas vezes mas uma vez seus eleitores no descaso social. Para cobertura é só olhar os outdoors e veja a propaganda de um Estado que cresce cuidando de sua gente e o prato está pronto.
Acompanhamento: um salario vergonhoso e o dito: você já sabia disso.
Tempo de duração: apenas 8 anos
Quantidade de porções: a população de um Estado.
Autores: Adilton, Naiara e Osmara - formandos em letras com inglês - UNEB 

domingo, 18 de março de 2012

ROSE, A CONTADEIRA DE HISTORIETAS DA VIDA REAL

       AH, MAS TEVE AQUELA DO ASSALTO!    


Essa foi épica! Digna de uma narrativa de Homero, de Virgílio, de Dante, de Camões. Se bem que está mais para Machado de Assis em O Alienista, ou Quincas Borba: “Ao vencedor, as batatas!”. Enfim, um dramalhão shakespeariano!

Lá vinha eu, rua deserta, um tanto clara, um tanto escura, à noite, sozinha, carregava em uma mão monografias à espera de um parecer cada uma. Na outra, segurava a bolsa como quem segura o salva vidas. Alvo fácil, diriam os mais apressados. Muito confiante para pouca munição, diriam os sensatos.

Um caminhão fazia sombra na calçada já com pouca iluminação. Passar pela calçada de cimento, atrás do caminhão ou passar pela rua de paralelepípedos, deserta, inclusive de carros, ressalve-se? Para qualquer pessoa com um mínimo de juízo: passar pela rua, ficar mais visível, claro! Ah, vou pela calçada mesmo que é mais fácil de andar com esse salto altíssimo do qual não abro mão em nenhuma situação (dá até samba a rimadinha).

Já quase tendo vencido o caminhão, eis que aparece uma bicicleta que para em derrapagem a minha frente. O alvo fácil, bem ali no cantinho escuro vai logo estendendo a mão: não venha não! Tentando engrossar a voz o mais possível. Mas ele foi. Puxou a bolsa. Ele de lá, eu de cá. Queda de braço ao estilo Indiana Jones, quando a antropóloga na Rússia gelada, depois de tomar mais um copo de vodka, vence no braço o fortão cossaco. Eu não venci na força, venci na persistência. Caímos por cima da bicicleta eu e ele. O rapaz de lá, tentando se manter em pé parecia puxar uma arma:

- Solte ou eu atiro!

Ora, o que faria qualquer pessoa em seu juízo perfeito em uma hora dessas? O que faria uma senhorinha nos saltos? O que faria uma mãe de família ao pensar nas filhas? Vão-se os anéis, ficam-se os dedos!

Desajuizadamente, a criatura aqui responde ao meliante que puxa a arma:

- Atire, pode atirar! Atire, vá!

Juízo na capa fixa do salto, vou tentando me levantar sem largar as monografias, sem largar a bolsa, mantendo a elegância, lutando contra a gravidade e sem atinar para a gravidade da situação. Ele negocia:

- Me dê só o celular! Resposta imediata:

- Não tem celular nenhum!

Bem, não será uma mentira se a gente analisa a frase como eu negando a ele a entrega do aparelho. Haviam dois na bolsa, com carregador e outras coisinhas mais.

Fico aqui imaginando a cara e os pensamentos do tal rapaz, pois levantei-me resoluta e pus-me a caminhar na direção de meu itinerário, sem mesmo olhar para trás, resmungando:

- Onde já se viu, querer roubar professor!

Ao chegar em casa, portão fechado, me dei conta do ocorrido: poderia ter levado um tiro, poderia ter sido agredida, poderia estar morta! Nasci naquele dia e espero ter mais juízo da próxima vez: vão-se os celulares, fica a vida!


sexta-feira, 16 de março de 2012

ROSE, A CONTADEIRA DE HISTORIETAS DA VIDA REAL

PALESTRANDO


Teve aquela vez em que eu fui convidada a falar para a calourada de letras de uma universidade. Era para ser uma mesa, mas, muito apropriadamente tendo sido desfeitos os misancenes formais, nos posicionamos, nós, palestrantes, bem descontraidamente com estudantes recém ingressos na universidade.

Muito pacientemente ouviram sobre os Diretórios Acadêmicos, sobre procedimentos acadêmicos de bibliotecas e tudo o mais que faz acontecer a vida acadêmica. Depois fomos apresentados, nós, os docentes, aqueles guardiões do saber e da possibilidade da transformação de estudantes adolescentes em profissionais adultos, conforme reza a lenda popular. Os olhinhos brilhando, recém chegados àquele lugar, depois de tanta expectativa! Depois de tanto estudar e provas vestibulares e sonhos de uma profissão de ingresso na vida adulta e produtiva...

Começa a falar a professora da casa, subvertendo as regras de boa educação que, dizem que devemos dar prioridade aos convidados. Tudo bem, regras são regras, estão aí para serem postas por terra. A encomenda da fala era para apresentar aos ingressos, futuros profissionais daquela área, as perspectivas de emprego, de atuação no mercado, de inserção na vida profissional.

Inicia-se a fala da professora doutora, concursada daquele espaço universitário:

- Fiz uma pesquisa procurando a maior quantidade de possibilidades, recorri ao Google, vocês têm muitas caminhos a seguir...

E desfolhou as possibilidades encontradas em sua pesquisa, com as ressalvas:

- Para se engajar em muitas dessas, vai depender de sua rede de amizades, mas para a maioria, você não precisa desse curso...

Para tudo! ãh? Eles não precisarão do curso ao qual eles acabam de ingressar!?? Depois de árduo esforço!? Bem. O melhor estava por vir.
Jogada a primeira bomba, olhinhos atentos, lá vai outra:

- Neguinho (palavra baiana para designar o empregador) vai tirar seu couro (expressão baiana para dizer que vão fazer você trabalhar muito) e você vai ganhar uma merreca (de novo, palavra baiana para indicar baixos salários).

E assim é descrita a profissão para a qual serão preparados por oito semestres... na qual investirão tempo, dinheiro e expectativas. Balde de água fria despejado, eu me coçando para discordar, ainda vem mais, na sequência:

- A menos que você tenha a sorte de casar com alguém com uma profissão melhor remunerada como eu tive a sorte de fazer, aí vai ter uma vida tranquila.

Isso foi dito a despeito de anteriormente ter sido confessado que ela mesma já havia passado por quase todas aquelas situações empregatícias anteriormente citadas. A despeito de toda uma discussão que aquela mesma universidade levanta, engajada em discussões já, agora, secular, sobre o papel social e político da mulher na sociedade e na produção tecno-intelectual e cultural.
 
Não sei a calourada, não tive coragem de conferir, não fui capaz de olhar para os olhinhos atentos, mas eu estava estupefata! Dá para contestar isso? Deixa quieto (expressão baiana para: vamos mudar de assunto porque esse já deu o que tinha que dar!).

Disparada a sua verbobelicosidade, a conceituada profissional se retira e deixa lá (no limbo) as convidadas. Sou a próxima. Lá vou eu, pessoa que sempre viveu da profissão que abraçou, muito carinhosamente diga-se de passagem, com certa independência e tendo construído patrimônio e família, contanto com os resultados do próprio trabalho, apresento meus argumentos na esperança débil de, quem sabe, atingir com a minha alegria em ensinar o amor pela profissão e, quem sabe, fisgar uns corações.


Coisas da educação no meu país!

quarta-feira, 7 de março de 2012

HOJE É DIA DA MULHER?


HOJE É DIA DA MULHER!


Bem, se hoje é dia da mulher, então é meu dia! Afinal, eu sou mulher, sou mãe, sou amiga, sou dona de casa, sou trabalhadora e batalhadora, mas hoje é meu dia mesmo, porque sou classe média, porque tenho poder aquisitivo, porque tenho acesso aos bens de consumo e a meus direitos.

Dona Almerinda[1] é mulher, mãe, amiga, dona de casa, trabalhadora e batalhadora, mas o dia dela... bem, é um dia sem homenagens, sem presentes, sem ser seu dia... Todo dia é dia de Dona Almerinda matar seu leão, fugir do assédio intelectual, físico, sexual, todos os dias ela pula fogueiras e todo dia comemora sozinha suas vitórias, sozinha com as lembranças de seu dia! A lembrança de ser contratada para serviço de manutenção da limpeza de uma empresa e ter que lavar carros, massagear pés...

Ferrenha defensora de um dia conseguirmos uma sociedade equânime, com educação freireana possível para quem desejar, com saúde humanística, com todas as possibilidades de viver uma vida saudável, tenho cá meus muxoxos para o capitalismo e seu neoliberalismo democrático que privilegia as minorias, a qual assumo que faço parte, e que zomba das maiorias, as quais, acredito, por falta de uma educação libertadora, está sempre nas mãos de quem teve acesso à ela. Um sistema político, social, ideológico, histórico, que diz: Feliz dia da Mulher! Presenteie uma mulher especial!

Quem vai presentear a também especial Dona Almerinda? Vejamos o que nos diz a história.

Mas é um dia para comemorar! Temos uma mulher no mais alto cargo de um governo de maioria masculina - nada contra os homens, coitados, nem têm seu dia! De uma sociedade ainda patriarcalista e masculinista. É uma vitória! Temos mulheres inteligentes e bonitas e talentosas aparecendo na mídia e abrindo caminhos! É uma conquista! No entanto, penso que sair às ruas vizibilizando a condição das Donas Almerindas é ainda mais importante! Isso, sim, seria uma homenagem às mulheres!

Ora, Viva o dia da mulher: de Dona Dilma, de Dona Almerinda! E que um dia, num futuro bem próximo, possamos esquecer que há um dia dedicado a homenagens às mulheres, pois todo dia é dia de comemorar a vida, a alegria de escolher uma profissão por desejo e não contingência do destino e ser respeitada na sua escolha, a alegria de podermos criar nossos filhos e filhas com amor, com apoio (do pai da criança, do governo, das escolas), com leque de escolhas, alegria de ter acesso a serviços de saúde que alie pesquisa, tecnologia e sensibilidade, alegria de saber que homens e mulheres são tão diferentes quanto iguais!

Lançando mão da máquina do tempo que é a escrita, adianto-me em dizer: FELIZ DIA DE COMEMORAÇÃO PELAS NOSSAS MARAVILHOSAS DIFERENÇAS E INCRÍVEIS SEMELHANÇAS!



[1] Nome fictício de uma mulher que foi aviltada em seu trabalho, desconsiderada em sua condição humana e de profissional no comércio de Santo Antônio de Jesus e que nesse dia 08/03/2012, recebe a solidariedade do povo dessa cidade. Uma verdadeira homenagem a todas as mulheres!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

50 MINUTOS


São sete e vinte de uma manhã de sol na capital baiana. Toca o sinal (estridente por sinal!). Vagarosamente estudantes entram na unidade escolar. Não têm pressa. Sabem que as portas das salas de aula estão fechadas, sabem que muitos ainda não chegaram e os que vêm, não apressam o passo. As salas estão fechadas, docentes estão nas salas (dos professores, de suas casas...). A única funcionária responsável por abrir as portas (as portas para o saber trancadas por fora, mas que podem ser abertas por dentro), não tem pressa, tem o seu tempo. Alguns minutos e docentes (os que já chegaram) entram nas salas morosamente.

Dez minutos depois do sinal e estudantes ainda chegam à unidade escolar. Um grupo de resistência reúne-se fora dos muros da escola, entretidos em trocas de saberes, de aprendizagens que não cabem no lado de dentro da instituição (ou cabem? Ou deveriam caber?). Outros entram na escola, mas não nas salas.

Uma estudante chama sua colega: “A professora está na sala.” Ela não se abala. A menina insiste: “Ela vai botar falta!” calmamente e com aparente má vontade, a colega se desloca. Vai para a sala? O mais importante: vai para a aula?

Sete horas e quarenta e cinco minutos, uma professora declara: “A aula já começou”. No melhor estilo da teoria dos atos de fala, ela realiza uma ação em seu dizer, pois, segundo a teoria defendida por Austin, dizer é transmitir informações, mas é também (e sobretudo) uma forma de agir sobre o interlocutor e sobre o mundo circundante. Assim, a aula começa a partir do ato de fala da professora: estudantes sentam-se e copiam algo no quadro em que a professora escreve algo.
O movimento de chegada ainda é grande e lento. Muitos entram na escola, mas não nas salas. Ficam pelos corredores.

O grupo de resistência, ainda na parte de fora da escola, é interpelado por um dos funcionários que sai de seu posto de porteiro. Ele tenta convencê-los a entrar, mas é desconsiderado.

Depois de vinte minutos de uma aula de cinquenta, o grupo de resistência entra na escola, juntamente com outros tantos que chegavam naquele momento. No entanto, o destino desse grupo não é a sala de aula, nem mesmo os corredores. Eles ocupam o lado de fora do prédio. Uma funcionária aproxima-se, conversa. Eles têm argumentos. Parecem desconhecer, desconsiderar autoridade, respeito à pessoa humana, variedade linguística e quando fazer uso dela. Faltaram a essa aula ou a aula foi que faltou?

Mesmo sem ouvir seus argumentos, percebe-se que são convincentes, pois em alguns minutos a funcionária sai. Parece que perdeu a batalha de levá-los para a aula. Estará ela convencida?

O tempo passa, tempo de aula.
Estudantes reúnem-se nos corredores, o grupo de resistência resiste.
Mais estudantes chegam...
Estão atrasados.
Estão atrasados?
A equipe de docente ainda não está toda presente. Uma professora entra numa sala depois de trinta minutos transcorrido de tempo de aula: “Eu não sou aqui?”, “Eu sou onde?”. Seu estudante quem lhe diz: “É na outra turma!”.
Estudantes pelos corredores, professores pelos corredores. E mais estudantes chegam devagar... vagarosamente.
O grupo de resistência vai para dentro do prédio, mas seu destino é o corredor. Corredor é mais interessante que a sala de aula.
Outro grupo de resistência se forma, agora um grupo de meninas. Docentes arrastam chinelos, outros estão nas salas e seus pupilos vão e vêm...
Na matemática da escola, há mais professores/professoras presentes que ausentes; mais estudantes nas salas de aula que fora dela. Mas o resultado dessa matemática não é equilibrado.
Mais um sinal. Burburinho nos corredores.
Mais estudantes chegando à escola e professores que não.
O tempo da escola é einsteniano, parece muito dependente do ponto de vista do observador.


domingo, 1 de novembro de 2009

A PEIA


Um artefato artesanal feito de tiras de sola ou de fibras de carirá que se faz para atar a pata traseira à pata dianteira, ou ainda as patas dianteiras uma a outra de um animal: cavalo, burro, jumento.

A peia impede o animal de se locomover normalmente e esse anda com dificuldade. Serve também para domar os chucros.

O meu avô Dindinho, além de fazendeiro, era também um bom artesão e trabalhava bem esses artefatos.

Além da peia, ele fazia cabresto e cangalha. Vivia na fazenda, lá no interior do sertão, onde o único meio de transporte e carga era feito no lombo das tropas de animais da fazenda para as cidades ou vilas mais distantes. Viagem de um ou dois dias com paradas para descanso e pernoite da tropa. Daí a necessidade da peia, para os animais permanecerem juntos e num raio bem próximo do acampamento.

Eu gostava muito de meus avós Dindinho e Dindinha. Vivi parte da minha infância e adolescência com eles e aprendi a respeitá-los, admirá-los pelos bons exemplos.

Viajava sempre com Dindinho para ajudar na condução da tropa.

Gostava de vovó Dindinha, ela era uma boa costureira. Quando tia Bia casou-se, vovó me fez um bonito terno para eu ir ao casamento.

Tenho muito boas recordações de minha avó. Um dia em que estávamos reunidos na sala, vovô, que não perdia tempo, estava trançando uma peia, vovó bem ao seu lado, costurando, Dindinho concluiu a peia trançada com fibra de carirá e, num gesto impulsivo pegou no braço de vovó, levantou a peia no ar e ameaçou bater nela... uma atitude banal, em tom de brincadeira!

Duas cenas ficaram gravadas na minha memória: uma brincadeira de levantar um instrumento de açoite em direção à vovó – fiquei anestesiado ao ver aquela atitude desrespeitosa e violenta; nem por brincadeira eu imaginaria tal ação! A outra foi a reação instantânea de vovó Dindinha que simplesmente disse: “Pode bater...” numa atitude de total submissão, mas, acima de tudo, numa atitude eletrizante de total confiança no seu esposo e na certeza de que ele jamais praticaria ou levaria a termo tal ameaça. Calma, tranquila, numa postura de submissão, ela olhou fixo nos olhos dele, como se estivesse dizendo: “Eu sou sua. Pode fazer o que quiser, mas faça com cuidado para não machucar a rainha do lar”. Tudo isso vovó transmitiu em pensamento, sem esboçar uma só palavra.

Vovô Dindinho foi abaixando a peia devagar até depositar no colo de vovó e disse:

- Izabel, acabo de ser peado com a peia do seu coração, serei o seu guardião enquanto repousar, estarei sempre perto de ti, onde estiveres, para te proteger, te amparar. Deus, o criador, nos uniu para todo o sempre. Estou peado!

A humildade é a maior virtude do ser humano, transforma o ódio em piedade, a estupidez em mansidão, o orgulho em caridade e harmonia.


João Pereira de Oliveira 1929 + 2006

sexta-feira, 12 de junho de 2009

SALA DE AULA INIBE CRIATIVIDADE

Espaços para questionamentos, intervenções e pensamentos divergentes ainda são muito limitados nas escolas, segundo pesquisa da Universidade de Brasília.
Fonte: www.aprendaki.com.br

As salas de aula estão longe de ser um ambiente propício à criatividade. Espaços para questionamentos, intervenções e pensamentos divergentes ainda são muito limitados nas escolas, segundo pesquisa da Universidade de Brasília realizada com 225 alunos da 5ª série de uma instituição pública do Distrito Federal. Embora fundamental para o estímulo à curiosidade e para a produção de ideias, a interação entre professores e estudantes é defasada, conforme revelou o estudo.

"Ainda falta clareza quanto à necessidade de o aluno perder o medo de errar, ter a ousadia de falar à vontade e pensar diferente. É preciso considerar toda a produção do aluno, gerando um clima de confiança na sala de aula", afirma a psicóloga Ana Clara Libório, autora da pesquisa. Ela avaliou 160 minutos de aula de oito disciplinas da 5ª série, entrevistou professores e aplicou questionários aos estudantes.

De 611 episódios de interação observados nas salas de aula, apenas 91 demonstravam sintonia e cooperação entre os adolescentes e os mestres, o equivalente a 14,8% do total. Outras 143 situações (23,4%) apontavam domínio de um ator sobre o outro e desconsideração de opiniões, seja por parte do professor ou do aluno. Posturas que inibem o interesse e participação nas aulas ou mesmo o ânimo do docente com a turma.

"Nos ambientes mais favoráveis à criatividade, observamos que o professor não só está atento às demandas e ideias apresentadas pelos alunos, como também às intervenções que não se referem ao tema da aula, incentivando a imaginação", avalia Ana Clara. Segundo ela, os adolescentes passam a ter mais interesse pela disciplina quando recebem essa atenção.

MAIS INTERESSE - Os resultados da pesquisa coincidem com os discursos de alunos da rede pública do DF. As estudantes da 5º série do Centro de Ensino Fundamental Nº 2 do Guará, Carla Fragoso, 12 anos, Isabel Medeiros, 11 anos, e Aline Dias, 10 anos, não demoram muito para responder sobre a aula que mais gostam, de História. A simpatia com a disciplina, porém, não está relacionada ao conteúdo, mas à maneira com que ele é transmitido. "O professor brinca e interage com a gente, é divertido", diz Carla, com o consentimento das amigas.

Isabel explica a diferença com as demais matérias: "Quando o professor só escreve no quadro, explica e fica sentado, as aulas são entediantes." O colega das três meninas, Matheus de Sousa, 10 anos, prefere a aula de Português. "Cada dia a gente faz uma atividade diferente, nós mesmos podemos inventar textos e até fazemos poesias", relata.

Feliz com o reconhecimento, a professora de Português da escola, Francisca Barros, conta que há maior interesse da turma quando as atividades em sala de aula são diversificadas. "Procuro entender melhor o perfil do aluno e trazer a aula para o seu cotidiano", explica.

Apesar de as interações entre professores e alunos serem tímidas, a compreensão demonstrada por Francisca estende-se a um número cada vez maior de docentes, de acordo com a pesquisa. O estudo analisou 377 episódios em que os estudantes participam com dúvidas e comentários em relação ao conteúdo da disciplina, esse tipo de interação correspondeu a 61,7% do total observado.

O número, aliado à análise das entrevistas, indica que os professores consideram que aspectos ambientais e individuais dentro da sala de aula favorecem o desenvolvimento da turma. "Eles estão cientes da importância de estabelecerem um clima favorável à criatividade, de estarem mais abertos aos questionamentos dos alunos", afirma a professora do Instituto de Psicologia da UNB e orientadora do estudo, Marisa Brito da Justa Neves.

FALTA AUTONOMIA - Mas nem sempre é fácil mudar a rotina nas escolas. A pesquisa mostrou que os estudantes não são autônomos, ou seja, não conseguem se envolver em atividades com independência. Na análise de cinco fatores do questionário aplicado aos adolescentes, a autonomia obteve os menores resultados. A média das oito turmas foi 2,81 em uma escala de um a cinco. Os quatro outros aspectos analisados mantiveram médias entre três e quatro. "A grande queixa dos professores é em relação ao interesse dos jovens. Eles esperam sempre modelos prontos. Contudo, a independência não é muito estimulada, o silêncio é muito mais valorizado que a curiosidade", analisa Ana Clara Libório.

Matheus Pinheiro, 10 anos, aluno da 5ª série do Centro de Ensino Fundamental Polivalente, confessa que sente vergonha de fazer perguntas na sala de aula. Da Escola Classe 405 Sul, Maria Clara Furtado, 10 anos, não esconde que é dispersa, gosta de conversar e é chamada a atenção por várias vezes.

Lidar com essa disparidade exige muito domínio por parte do professor, afirma Veralúcia Moreira, professora de Matemática da instituição onde estuda Maria Clara. Segundo ela, muitas atividades viram bagunça e não cumprem a finalidade proposta. "A disciplina exige concentração, silêncio, e os alunos não retornam à aula depois de atividades em grupo ou de caráter lúdico. As turmas são cheias, e os professores têm de ter muito domínio", desabafa Veralúcia.

Para a professora de História do Centro de Ensino Fundamental Nº 2 do Guará Glória Amâncio da Silva, os docentes não estão preparados para aulas que instiguem a criatividade dos alunos. "As licenciaturas ensinam apenas conteúdo e esquecem de abordar estratégicas de ensino. O professor se prepara sozinho para encarar a sala de aula", diz.

Mas posturas simples podem fazer diferença no interesse dos alunos pelo conteúdo, ressalta Ana Clara. Entre elas falar pausadamente parar a aula para ouvir perguntas e contribuições dos alunos e procurar incluir toda a turma nas discussões, em vez de voltar-se para um grupo.

O estudo não avaliou diferenças entre as disciplinas, mas nem sempre as mais favoráveis ao desenvolvimento da criatividade, como Artes, são as que apresentam condições para o desenvolvimento da habilidade. "O fundamental é a qualidade da interação entre professores e alunos, independentemente do conteúdo", afirma a pesquisadora.

domingo, 25 de maio de 2008

O uso de multimídia melhora o aprendizado?

Nem vou discutir o que seja multimídia, isso é discussão antiga e já muito batida. A questão das mídias no ambiente escolar também já foi muito discutida. Então o que sobra? Sobra a ação! E sobra mesmo, sempre relegada, sempre preterida, por vários, sinceros e justos motivos: dificuldade de acesso, de manuseio, aparelho defeituoso, tempo de deslocamento da "sala de aula" para a "sala de multimídia", enfim. Mas, como diz o ditado: quem quer faz, quem não quer dá uma disculpa!
O que não podemos é desconsiderar o forte apelo da imagem sobre o aprendizado, afinal, a primeira imagem é a que fica! E, aprender através também da imagem, é, no mínimo, prazeroso!
Acredito na aprendizagem interativa e multimídia (diversificar é a receita do sucesso),em todos os campos de aprendizagem e em todos os níveis.